terça-feira, 28 de julho de 2009

proximações trágicas: "Eu, Dioniso!"




Eu, Dioniso!


Cada duplo ser

Tem em mim seu lar:

Máscaras infames de seus inexoráveis destinos:

Esconde e busca teu rosto para não mais lembrar-se dele:

Exílio de si.



Tortuoso caminho: fértil florescer de violência.

Ditirâmbicos tropegares em teus pés de pó de tua boca oca

Destilado de uvas podres alegram o túrbido séquito

Vinho sorvido da boca de Hades.


Fortaleza, 28.7.9.
Rodolfo Silva

2 comentários:

rufina fontelles disse...

Querido amigo, muito interessante o seu poema poema. Por ter profundidade, necessita que se demore um pouco na leitura; melhor ainda, que se leia outra vez, depois de um tempo, para que quando já destilada a idéia, seja adequadamente absorvida. Particularmente, encontro aí o retrato da espécie humana, dual e imprecisa, mutante, "exilada de si". Parabéns!

Renan Ramalho disse...

Li uma vez e gostei. Li outra vez depois de ter lido "O médico e o monstro" e gostei mais ainda. Li pra mostrar a uma amiga, me dando o trabalho de ir ao dicionário, e convesando com ela sobre o significado (ou pelo menos o significado da minha leitura) gostei mais ainda. Define bem e poeticamente a natureza humana. o outro ser habitante de nossa alma, maldade vegonhosa, sensulmente atrativa.