quarta-feira, 17 de setembro de 2008

sobre a cegueira




mar
marulho
murmurinho
[
ninguém
percebe
a
minha
solidão
]
burburinho
barulho
bar


://



Fortaleza, 17.9.8.
Rodolfo Silva

terça-feira, 16 de setembro de 2008

fazer de nada

ao possível e virtual leitor:
não precisa ler mesmo, a não ser que você queira encontrar outra coisa.

nada não.

























haroldo de campos: "a educação dos cinco sentidos", 1985


ao fazer, pelo centro da cidade,
o mesmo, acabo fazendo e encontrando o outro.
não era nada disso.

ao centro cultural,
à biblioteca,
à livraria,
ao banco,
ao sebo,
(preciso voltar pra casa, estender roupas que ficaram na máquina)
não era tudo isso.

por que esse outro?
aniquilação do que era,
niil.

outro, saída,
outro, busca,
encontro.

pois não!



Fortaleza, 16.9.8.
Rodolfo Silva

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

universos paralelos ou o estranho mundo de um zé ou alice era mais feliz ou eu quero ser tim burton ou gargamel exterminou os smurfs ou outros ous

para meu amigo e irmão Erlon






















para quem um dia se encontrou deslocado no universo...
para quem um dia foi acusado de infantilidades...


eu só quero dizer que eu sou normal!
apesar de minhas coleções...



viva o fotógrafo Steve Schofield!





















as fotografias estão no site:

http://www.steveschofield.co.uk/gallery_lotf.html

Fortaleza, 10.9.8.

Rodolfo Silva

sábado, 6 de setembro de 2008

escrever diário

aviso aos navegantes:


há catorze anos escrevo diário.
não chamo, entretanto, meus cadernos de diários, afinal não escrevo todo dia.
chamo-os apenas cadernos.

descobri que um dos motivos que me leva a escrever é para não esquecer.


nas últimas duas postagens no blog,
usei a fonte Times em itálico. isso para diferenciar da habitual Georgia.
seria, a meu ver, uma forma de indicar transcrições de excertos de meus cadernos.
embora esses fragmentos não existam no papel, apenas na webpage.


para quem quiser conhecer um de meus cadernos,
assista ao vídeo-poema "solidão", no qual meu caderno faz uma breve, mas importante, participação.


gosto de escrever diário.
gosto de ler diário.
é um jeito de intimidade, de aconchego e amizade.


um blog nunca será um diário, mesmo que use este nome!

mesmo assim, há o convite para escrever e para ler.
estabelecendo alguma cumplicidade.
seja por curiosidade, seja por casualidade.
ou meramente pra saber da vida alheia.


Sugestões de leitura:
"O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo", de Oswald de Andrade
"Conta-corrente", de Vergílio Ferreira

"O diário de Frida Kahlo"





















Capa e última página do diário de Frida Kahlo (1907-1954):
"Espero alegre a saída e espero nunca voltar."


Você pode ler trechos dos diários de George Orwell (1903-1950) no site:
http://orwelldiaries.wordpress.com/





Fortaleza, 6.9.8.
Rodolfo Silva

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

bicho de estimação


















não me lembro ao certo quando isso começou.
parece que foi numa certa infância, anterior.

minha criação de hipopótamos me surpreende a cada dia.


"vi chegar um hipopótamo, que me arrebatou"
adoro mesmo quando, ao chegar, lá vêm eles saltitando balançando suas panças em minha direção. claro que é assustador, mas me divirto com esses seres gigantescos.


"vi que o meu animal galopava numa planícia branca de neve"
nunca tive um bicho de estimação que fosse meu, a não ser alguns cachorrinhos sem graça, que por algum motivo, também sem graça, chegaram às minhas mãos.

tudo mudou quando deparei-me com a grandeza desses bichos,
numa viagenzinha feita ao Egito.


"Talvez por isso entraram os objetos a trocarem-se; uns cresceram, outros minguaram, outros perderam-se no ambiente, um nevoeiro cobriu tudo,-- menos o hipopótamo que ali me trouxera, e que aliás começou a diminuir, a diminuir a diminuir, até ficar do tamanho de um gato. Era efetivamente um gato. Encarei-o bem; era o meu gato Sultão, que brincava à porta da alcova, com uma bola de papel..."

é dispendioso manter tal bichano.
dizem que sou louco por causa de meu bem-querer ao animalzinho.



Anotações em itálico do Capítulo VII - "O DELÍRIO", do livro
"Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis
Fortaleza, 4.9.8.
Rodolfo Silva