quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

homens de Machado



Muito se fala das mulheres de Machado de Assis: Capitu, Virgília, Sofia, Guiomar.

Pouco se fala dos homens de Machado de Assis: Bentinho, Brás cubas, Rubião, Estêvão.


Desde o fim do ano passado, percorro linhas machadianas... Primeiro "Quincas Borba" (1891), agora "A mão e a luva" (1874).

Eu já havia observado a construção do perfil masculino de Rubião. Agora, Estêvão.
Mas, ri-me mesmo foi de Jorge, o rival de Estêvão:

"Suponho que o leitor estará curioso de saber quem era o feliz ou infeliz mortal [...]
Era um rapaz de 25 a 26 anos. Jorge chamava-se ele; não era feio, mas a arte estragava um pouco a obra da natureza. O muito mimo empece a planta, disse o poeta, e essa máxima não é só aplicável à poesia, mas também ao homem. Jorge tinha um lindo bigode castanho, untado e retesado com excessivo esmero. Os olhos, claros e vivos, seriam mais belos se ele não os movesse com afetação, às vezes feminina. O mesmo direi dos modos, que seriam fáceis e naturais, se os não tornasse tão alinhados e medidos. [...]
[...] ele, porém, preferia vegetar à toa, vivendo do pecúlio que dos pais herdara e das esperanças que tinha na afeição da baronesa." - Capítulo VII - Um rival


Talvez, o que mereceria uma não preguiçosa reflexão literária seria o contraste entre perfis femininos e masculinos, nessas ficções.

Rodolfo Silva
Fortaleza, 18.2.2016.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Visita

Visito a literatura.
Algo se desfaz, em mim.
Tudo em mim se faz, poeta.