quinta-feira, 24 de abril de 2008

um sol

de manhã:
cama quarto lençóis travesseiro paredes
janela (pro nascente)

ação 1:
dormindo acordando (devagar)
a claridade incomoda (como todo dia)
cobre a cabeça iludindo a luz (como todo dia)

ação 2:
hora de levantar (como todo dia) bruscamente
ver através da janela a cidade
ofuscar-se com a claridade
céu azul poucas nuvens
movimentos de carros e seus barulhos

ação 3:
procurar relógio (como todo dia)
verificar a hora (detestar isso, como todo dia)
olhar de relance a paisagem da janela (assustar-se)

ação 4:
(de perto)
arregalar os olhos
procurar a janela (como fosse jogar-se)
admirar-se procurando algo

ação 5:
(sobre as costas, olhando a janela)
as mãos na janela
o corpo inclinado pra altura
a claridade contra o corpo

ação 6:
(do lado de fora)
lá no alto na janela
olhando pro infinito
procurando algo

ação 7:
(pro infinito)
pra claridade ofuscante
não há sol

ação 8:
(ouve-se grito) "não há sol" (repetidamente)
a imagem procura o grito (que vem da janela)
"sol" (desesperadamente)

ação 9:
olhos procuram o sol
atrás da claridade
(voz)
"não há sol
nunca houve
a terra girava sobre si"
"lá" (grito)
(voz)
"não sobre sol"
(música em escala si lá sol)



Rodolfo Silva
Fortaleza, 24.4.8.

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