terça-feira, 23 de maio de 2017

'The little flying mammal' or 'the bat of the kid'




Ontem, um morcego apareceu na porta de nossa casa.




Miguilim falou:
- Estou muito animado, mamãe. Eu sempre quis um mamífero aqui pra casa.

O mamiferozinho voador está morto.

Por algum motivo, talvez doença, ele veio despedir-se na porta de nossa casa.

Mas antes, fez a alegria da novidade ao pequeno Miguilim.

Fortaleza, 23.5.17.
Rodolfo Selva.
                      

terça-feira, 28 de março de 2017

diante de faces


Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
Tecendo a manhã - João Cabral de Melo Neto

Era só para registrar algumas leituras,
de repente, vi-me diante de espelhos, mise-en-abyme.
Diante de uma sacada, um mirante, um abismo.

Queria dizer das últimas leituras e suas interrelações:
O filme Logan e suas intersemioses com a história de Jacó.
O Daredevil de All-New All-Different Marvel tangenciando a narrativa do Novo Testamento.
O encontro de Jesus com a mulher que sofria de hemorragia há 12 anos e as questões de gênero.

"Abismo chama abismo" (NVI).

E eu me perdi no turbilhão de páginas folheadas.
Preciso emergir, encarar e ler as faces dos abismos.

Os Salmos 42 e 43 de Corá trazem a imagem do
abismo grita abismo
תְּהוֹם-אֶל-תְּהוֹם
tehom el tehom

Muitos sons, muitas vozes, polifonias, multiversos, ondas.

É preciso emergir dessas ondas.
Emergir da face do abismo criante.
Emergir do ventre do abismo.

"Grita um abismo a outro abismo" (BJ).

Como escreveu Haroldo de Campos: A Bíblia cita a Bíblia... tudo é citação - tecer e entretecer - na literatura bíblica...




Fortaleza, 28.3.2017
Rodolfo Silva




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

Eis o nosso quintal




Eis o nosso quintal.
São muitas sementes e muitos semeadores.
As colheitas vão acontecendo, com chuva, com sol.
Há marcos e há marcas.
Em 2001, eu e Aline nos conhecemos.
Em 2010, mudamos pra essa casa (presente de Everton e Neuma).
Em 2011 e em 2013, nasceram Miguilim e Chico, nossos barbárvores, meninos plantadores, cuidadores e abraçadores de árvores.
Em 2015, a casa fez-se nossa.
Participamos de uma oficina com Hugo (do meu lixo cuido eu) e a revolução ganhou novos traços.
2017, nossas galinhas chegaram, nosso 3º bebê chegará.
Sempre gratos ao nosso vizinho, Wilton Matos, barbárvore-mor, plantador de árvore, semeador desse/nesse quintal também.
Tanta gente: famílias, amigos, vizinhos semearam e semeam nesse quintal.
Gratos a Deus, encontrado nesses tempos e nessas relações, nas virações do dia, movimentos dos ventos.

Hugo Theóphilo, encontra-se http://hugotheophilo.blogspot.com.br/
Wilton Matos, encontra-se https://jardimwiltonmatos.blogspot.com.br/


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

aborto e promoção da vida - meros pensamentos


Tenho acolhido opiniões sobre a questão do aborto.

A mais recente é da obstetra Liduína Rocha. Em entrevista ao Jornal O Povo, publicada em 04/12/2016, ela afirma:

"a legalização do aborto não somente reduz mortes maternas, mas também o número de abortamentos"
Ver: http://www.opovo.com.br/app/opovo/dom/2016/12/03/noticiasjornaldom,3672776/dois-dedos-de-prosa-com-liduina-rocha.shtml


Ao tentar aprofundar a questão, parece-me que nos aproximamos de uma difícil decisão.
Ainda não consigo detalhar em palavras, uma pergunta básica:

"Quem escolheremos para morrer "menos"? A mulher ou o feto?"

Talvez essa pergunta seja inadequada, imprópria, ou esteja mal formulada.








sexta-feira, 25 de novembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

moldar a argila #2




Para ela.

"O que o mar sim aprende do canavial
O que o canavial sim aprende do mar

O que o mar não aprende do canavial
O que o canavial não aprende do mar"
(O mar e o canavial, de João Cabral de Melo Neto)


 O que ele sim aprende dela:
 O que ela sim aprende dele:
 O que ela não aprende dele:
 O que ele não aprende dela:

 - Talvez moldar a argila.

- O oleiro molda a argila?
- Ou são suas mãos que moldam?

- A argila molda o oleiro?
- Ou é seu barro que molda?

- Ou é um caso de amor entre mãos e barro?

- Talvez.

Fortaleza, 20.9.16.
Rodolfo Silva