segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Diário de Campo 10

a cidade e sua inutilidade

Antes, eu tinha um percurso (inútil, claro) mas ele me levava em direção à fronteira. Servia ainda para me tirar da cidade. Catei palavras.

Naquela manhã de segunda-feira, andar, contar o tempo, parar, escutar, anotar, escrever, até cansar.

O que Fortaleza tem de mais inútil numa tarde de sexta-feira?
Talvez a sua quadradura. Inútil!


Então é nessa que eu vou inutilizar o meu precioso tempo.

A praça ainda é útil. Preciso de algo mais inútil.

A tranquilidade inútil de uma esquina de cruzamento. A esquina da praça, nesse cruzamento - uma rápida e inútil passagem. Ir e voltar, ao tempo e gosto do semáforo.


Inaugurar um novo tempo, inútil, claro!


P.S.1: detalhe, para a inutilidade (in)completar-se, é necessário fotografar o transeunte*, de quando em quando (de um ponto fixo?).
P.S.2.: detalhe, para a inutilidade (in)completar-se, é necessário indumentar o traseunte*, de um terno preto, chapéu e algo mais... inútil.


*transeunte adj. Que passa; que vai andando ou passando; que não permanece. / — s.m. e s.f. Indivíduo que vai passando. / (Sin.: viandante, passante, caminhante.)



de 27.11.8.

ver blog ARTE COMO AÇÃO CULTURAL

Nenhum comentário: