sábado, 3 de junho de 2017

A violência (contra a mulher) é tão fascinante



"A violência é tão fascinante."
Este é o primeiro verso da canção "Baader-Meinhof Blues", da Legião Urbana.
"E nossas vidas são tão normais"
E este é o segundo verso.

Morar em Fortaleza, hoje, é lembrar desses versos com uma frequência que me incomoda.

Ao folhear o Jornal O Povo de hoje, deparei-me com duas reportagens que têm tantas coisas em comum que até assustam, mas como se adverte em obras de ficção:

"Qualquer semelhança é mera coincidência"
A sequência é recorrente...
(1) Em Fortaleza,
(2) homem mata mulher,
(3) a justiça é feita... de uma forma ou de outra.

Seja a prescrição do crime (Fato 1), seja a justiça pelas próprias mãos (Fato 2),
há situações preocupantes,
em diversos níveis ou camadas,
em relação aos personagens, às narrativas, aos discursos.


Vamos, então aos fatos:



Fato 1 - Justiça extingue pena de Flávio Carneiro
http://www.opovo.com.br/jornal/radar/2017/06/justica-extingue-pena-de-flavio-carneiro.html


Fato 2 -
Após ser jurado de morte, suspeito de homicídio é executado no Lagamar
http://www.opovo.com.br/jornal/cotidiano/2017/06/apos-ser-jurado-de-morte-suspeito-de-homicidio-e-executado-no-lagamar.html

Onde?
Fato 1 = Fato 2 = Fortaleza


Quando? 
Fato 1 - 15 de outubro de 1992
Fato 2 - 30 de maio de 2017 

O quê 1? (O crime)
Fato 1 = Fato 2 - Homem mata Mulher


O quê 2? (A justiça)
Fato 1 = 
"O empresário Flávio Carneiro, 65, réu confesso do assassinato da ex-mulher Ethel Angert, em 15 de outubro de 1992, teve a pena extinta pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE)."
Fato 2 = "Cerca de 70 tiros foram disparados na manhã de ontem contra Francisco Eule Alves da Silva, de 29 anos [...] O homicídio teria sido motivado pela suspeita de que Eule matou a própria companheira [...] Além das dezenas de tiros, Eule sofreu pauladas, pedradas e golpes de faca. Em seguida, teve o corpo incendiado."

Quem?
Fato 1 = Fato 2 = Homem e mulher


Como?
Fato 1 - Arma de fogo

Fato 2 - Arma branca (faca)






Um comentário:

Erlon disse...

Foi em 1992, foi em 2017, e será em 2042? Fico desanimado em achar que não. Não há mais empenho prá saber quem é culpado pela violência, principalmente porque nunca "sou eu". E 'a justiça de alguma forma', desiludida com o que julga ser brando na modernidade, busca resposta nas ações de séculos anteriores de barbárie, que como se sabe, não resolveram nada.

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