sexta-feira, 29 de agosto de 2008

mês que termina


Para Aline W., meu amor.



















leve
a cidade pelo centro dela
entre
em suas vias.


veja
o que lampião lia.





A imagem de última hora foi a nova cabeça de lampião.
Benjamin Abraão, Glauber Rocha.
"Com o meu baião estarei desenhando um outro céu.
O céu de couro nordestino"
Luiz Gonzaga, Robertinho do Recife.





pão integral e margarina industrial.
a cidade está em todo lugar:
no pastel no poste no portal
dentro da minha carne
dentro do pão.




Na Serra de Meruoca,
três amores,
um encontro,
dois livros, dois cadernos,
pão partido e
companheiro.





Pra quem o mar se dá?
Se derrama, se espraia?
Efêmeras flores dedicadas a quem?
Por onde andará seu bem?





Perguntas percorrem o escrever.
Mesmo as dunas, donas de suas areias, não saberiam responder.
Enquanto isso, eu e meu amor, vamos sair.
Jeri, Almofala, volta pra casa.






P.S.: como esperar a partida para outro lugar, aquele mesmo lugar?




Fortaleza, 29.8.8.

Rodolfo Silva

4 comentários:

Alexandre disse...

Gostei da construção sobre a cidade. entranhada em nós, em tudo, no todo... até no pão e na margarina! Saudade de Fortitudine. Das amizades de lá...

Abraços
Xande

Facundo disse...

ei cara... gostei da construção do poema e das referências... curto muito tua liberdade de escrever fugindo dos padrões "modeladinhos" de poesias...

e releve minha falta de consistencia no comentário... assim como vc adora minimalismos e não curte muito textos longos, eu sou o contrário... hehehehehe mas confesso que arte maior é a poesia... vcs conseguem em uma palavra sintetizar o que um cronista leva duas páginas pra expressar...

abração cara!!!!

Flávio Américo disse...

Amigo, belo texto.

Gosto da forma como vc escreve, sensibiliza, me faz pensar em coisas excelsas... não foi piada...

Saudade das conversas. matei um pouco a saudade de seu jeito de ver as coisas, inclusive as que nos cercam. falei para a neguinha essa semana q poeta é aquele q vê as coisas de forma diferente, como vc faz.

Renan Ramalho disse...

Muito bom. Curto tuas poesias porque você consegue conciliar síntese e “estímulo”. Palavras mínimas, porem matérias para reflexões diversas. Gosto disso porque excita o papel ativo do leitor. Sei lá, acho mais divertido assim. Tem texto que parece que a gente ta engolindo vômito dos outros, gosto de fazer minhas próprias digestões, por mais que a comida seja preparada por outros. Ah! Depois da uma passado lá no meu blog, escrevi coisa nova.