segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

seja a hora, talvez.

numa viagem rotineira, 
embarco na lembrança da pergunta e dos nomes.
se todo dia ouço a mesma pergunta,
o que devo esperar afinal?

mas para o pequeno a pergunta é nova, sempre.
desconfiar deveria ser a estratégia.

o pequeno pergunta
a pergunta pequena:
o que é isso?
o que é isso?

o grande acha que é repetição, coisa velha.
o pequeno pergunta a pergunta pequena.
o grande esquece.
o pequeno descobre.

não mergulhamos o mesmo rio.
nem perguntamos a mesma pergunta.
a resposta, ora, não importa muito.
para o grande, a repetição,
para o pequeno, a pergunta.

o pequeno pergunta
a pergunta pequena:
o que é isso?
o que é isso?

seja a hora, talvez, de 
perguntar: 
eu sei o que é isso?
Fortaleza, 24.2.14.
Rodolfo Silva

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