sexta-feira, 12 de julho de 2013

espero por mim [invento a paternidade]

Para Rafael Calvet,
a lembrança,
o café,
o abraço (grande grande).

Aos amigos: filhos, pais.
Aos meus meninos: Miguilim e Chico.

"The truth is, I didn’t see anything of myself in my father.
And I don’t think he saw anything of himself in me.
We were like strangers who knew each other very well."
William Bloom, Big Fish, de Tim Burton.

"E o que disserem 
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim"
Legião Urbana, Esperando por mim, em A tempestade


Parece tristeza, mas é Alegria: profunda & indestrutível.
Não sei se me preparei bem para ser pai. Para bem poucas coisas eu me preparei bem.
Agora, pai de dois meninos.

Não dá pra descrever todas as experiências, todas as vivências, todos os sentimentos e emoções.
Seria infrutífero.
Escolher o que escrever também é difícil.
Mas falar de algo que conheço bem pouco é o que quero.
Dessa paternidade que invento, cada dia novo nosso.
Daquilo que exp'rimento com inspiração cotidiana das pequenas coisas caseiras, urbanas, automobilísticas, televisivas, livrescas, fotográficas, lúdicas.

Uma oração sempre inconclusa, sem améns, posto que arde fiel, centelhas.
Há algo que me atrai em ser pai.
Distraído sigo canções, filmes, livros, pais que me digam algodezas.
Não há pai que não esteja em mim, comigo:
Meu pai.
O pai do meu pai.
O pai de minha mãe.
Os pais dos pais dos pais dos pais.
Aquele pai novo, que não sabe não quer.
Aquele que desistiu, insistiu, abortou, adotou.
Pai nosso! Amém!

E nesses poucos dias da vida do Chico, 
dias de resguardo, 
dias de férias, 
dias noctívagos,
vou levando Miguilim a lugares de nossa cidade, interditos à paternidade.
E nos olham com assombro e excentricidade.

"E o que disserem
Os nossos dias serão para sempre"

Rodolfo Silva
Fortaleza, 12 de julho de 2013











2 comentários:

Roberto Cleyber Silva de Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberto Cleyber Silva de Oliveira disse...

Bacana teu texto, Rodolfo.
A expectativa da paternidade já me assombra também. Que doce agonia!